Cai vulnerabilidade na PB, mas 4,7% vivem em extrema pobreza
8 de dezembro de 2025
Redação

Dados recentes da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do IBGE revelam um cenário de redução da pobreza na Paraíba em 2024, atingindo os menores valores de toda a série histórica, iniciada em 2012. No entanto, o estado ainda lida com altos índices de vulnerabilidade social e uma significativa desigualdade de rendimentos, que é amenizada, mas não eliminada, pelos programas sociais governamentais.  

Redução da Pobreza e Extrema Pobreza

Em 2024, a população paraibana em situação de extrema pobreza (rendimento inferior a US$ 2,15 PPC por dia) foi estimada em 4,7% (194 mil pessoas), o menor valor já registrado. A população em situação de pobreza (rendimento abaixo de US$ 6,85 PPC por dia) também diminuiu, totalizando 38,3% (1,58 milhão de pessoas). Esta é a terceira redução consecutiva nesses indicadores, que haviam atingido seu pico em 2021 (16,7% em extrema pobreza e 56,1% em pobreza).  

Apesar da queda, a Paraíba apresenta uma incidência de vulnerabilidade superior à média do Brasil, embora seja menos intensa que a do Nordeste.  

Pobreza (abaixo de US$ 6,85 PPC/dia): 38,3% na Paraíba, inferior ao Nordeste (39,4%), mas superior ao Brasil (23,1%).  

Extrema Pobreza (abaixo de US$ 2,15 PPC/dia): 4,7% na Paraíba, inferior ao Nordeste (6,5%), mas superior ao índice nacional (3,5%).  

Desigualdade Salarial e Racial

A análise do rendimento real domiciliar per capita médio (sem benefícios sociais) na Paraíba mostra um aumento de 29% entre 2012 (R$ 971) e 2024 (R$ 1.253). Contudo, as disparidades de gênero e raça se acentuaram:  

Homens Brancos x Mulheres Pretas ou Pardas: O rendimento médio do homem branco subiu para R$ 1.661, enquanto o da mulher preta ou parda atingiu R$ 1.000. Com isso, o homem branco passou a ter um rendimento, em média, 66,1% superior ao de uma mulher preta ou parda em 2024.  

Rendimento por Cor/Raça: O maior rendimento médio é o das pessoas brancas (R$ 1.653), seguido pelas pardas (R$ 1.039) e pretas (R$ 1.085).  

Concentração de Renda e o Efeito dos Programas Sociais

A desigualdade de renda na Paraíba, medida pelo Índice de Gini (sem benefícios sociais), mostrou uma tendência de crescimento, alcançando um pico de 0,648 em 2023, antes de recuar para 0,579 em 2024. Este valor é superior à média do Brasil (0,542) e se aproxima do Nordeste (0,582).  

O estado apresenta um alto grau de disparidade entre os extremos de renda. O indicador razão 20/20 mostra que os 20% mais ricos na Paraíba recebem, em média, 12,7 vezes mais que os 20% mais pobres. Apesar de ser um valor elevado, é inferior à média do Nordeste (13,8) e do Brasil (14,6).  

Impacto dos Benefícios Sociais

A inclusão dos benefícios de programas sociais governamentais na análise de renda demonstra uma significativa diminuição na concentração de renda na Paraíba.  

Gini sem Benefícios: 0,579 em 2024.  

Gini com Benefícios: 0,496 em 2024.  

A diferença de 0,083 (de 0,579 para 0,496) evidencia o forte impacto dessas transferências, que levam o Gini da Paraíba a atingir seu menor nível histórico (0,496) para o indicador total, mostrando uma diminuição na concentração de renda. O efeito dos auxílios é ainda mais evidente nos picos de desigualdade recentes; por exemplo, em 2023, o Gini sem benefícios era 0,648, caindo para 0,561 com a inclusão dos auxílios.  

Apesar da alta concentração no topo, os estratos inferiores da população da Paraíba ampliaram sua participação no rendimento total entre 2012 e 2024. O grupo dos 10% mais pobres aumentou sua fatia de 1,1% para 1,5% do rendimento total, enquanto a participação dos 10% mais ricos caiu de 40,8% para 39,9%.  

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