Cachaça Triunfo é destaque na revista Mesa
17 de maio de 2025
Redação

A cachaça paraibana Triunfo ganhou destaque em uma reportagem especial da revista Prazeres da Mesa, uma das publicações gastronômicas mais respeitadas do país. 

No texto assinado pela jornalista Thaynara Policarpo, direto de João Pessoa, a matéria “Cachaça se põe à mesa” mostra como a bebida, símbolo nacional, é celebrada com afeto, técnica e identidade no evento Mesa Ao Vivo Paraíba.

Durante uma aula-show, o sommelier e ativista da ecogastronomia Adilson Santana apresentou a Triunfo ao lado de outras cachaças artesanais do estado, exaltando o sabor, a história e a conexão com os biomas da região. 

A reportagem também destaca a participação da bartender Biruta da Terra, que levou ingredientes do sertão e saberes populares para drinques autorais.

A cachaça Triunfo foi servida em uma degustação que evidenciou seu envelhecimento em madeiras brasileiras, como a umburana, e sua qualidade reconhecida nacionalmente. A matéria está disponível na edição de maio da revista Prazeres da Mesa.

MESA AO VIVO PARAÍBA / ADILSON SANTANA E BIRUTA DA TERRA

Por Thaynara Policarpo, de João Pessoa

Fotos Ricardo D’Angelo

CACHAÇA SE PÕE À MESA

Uma aula sobre os saberes populares, os sabores da terra e a resistência no copo

Na Paraíba, do litoral ao sertão, cachaça boa se toma com umbu, seriguela, limão, de preferência geladinha, acompanhada de petiscos, amigos e boas histórias para contar. Foi o que Adilson Santana e Biruta da Terra trouxeram ao Mesa Ao Vivo Paraíba: mais que uma aula, foi um mergulho nessa autêntica tradição brasileira.

Adilson, pernambucano, sommelier de cachaça e ativista da ecogastronomia, vive no Brejo paraibano. Começou consertando fax e telex, mas foi na cozinha regional que ele reencontrou suas raízes: “Queria cozinhar buchada, picado, cabidela, pratos da minha vida”. Líder do Slow Food na Paraíba, defende uma gastronomia que respeite os biomas, os saberes populares e, principalmente, quem os produz.

No evento, levou um inusitado – filme da Caatinga – para degustação das cachaças Matuta, Baraúna e Triunfo e preparou pastel de moqueca de marisco, homenageando as marisqueiras da região, além de croquetes de piaba frita, o “peixe das nuvens”. “Quando tem piaba no açude, tem colheita. São bioindicadores de vida e fartura.”

Já Biruta da Terra, cearense enraizada na Paraíba, trocou a engenharia pela coquetelaria e redescobriu saberes ancestrais: lambedores, chás, raízes. “Antes de ser xarope, foi lambedor. Antes de virar bitter, era garrafada das avós. Trazer isso para a mixologia é gigantesco.”

Há mais de 10 anos no ramo, venceu o Campari Bartender Competition, sendo a primeira mulher nordestina premiada. No Mesa Ao Vivo Paraíba, preparou o Clericot Nordestino, com cachaça, laranja-cravo e cumaru – uma soda amorial cheia de frescor – e um gim com mexerica e laranja-cravo e coentro, mas sem água com gás ou tônica: “É tudo da terra”.

Adilson e Biruta mostram que, para além da técnica, é preciso defender a cachaça com afeto, memória e um olhar crítico e profissional. “Mas é um distilado de qualidade, envelhecido em madeiras nacionais, como o umburana ou a amburana, não deve nada ao rum ou ao whisky escocês”, dizem. Com um tributo poético à bebida no Brasil. Hoje, 365 anos depois da data de proibição, a data da proibição é celebrada no país como o Dia da Cachaça, em 13 de setembro.

Em diversas regiões, a cachaça é um elo geracional. E, como disseram os dois durante a aula, é preciso entender os biomas e ecossistemas que envolvem a produção de cachaça para garantir que essa nossa bebida continue resistindo.

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