Brasil é o 4º país do mundo com maior intenção de contratação, mas desafio das empresas vai além de abrir vagas
O Brasil ocupa atualmente a quarta posição no ranking global de intenção de contratação, de acordo com a Pesquisa de Expectativa de Emprego para o terceiro trimestre de 2026, divulgada pelo ManpowerGroup. O levantamento, realizado com mais de 40,5 mil empregadores em 42 países, mostra que o país mantém um ritmo consistente de aquecimento do mercado de trabalho e figura entre as economias mais otimistas para geração de empregos nos próximos meses.
A Expectativa Líquida de Emprego brasileira atingiu 37%, índice que supera com folga a média global de 26%. O resultado coloca o país atrás apenas da Índia, Porto Rico e Estados Unidos. O desempenho confirma uma trajetória positiva ao longo do ano. No primeiro trimestre de 2026, o Brasil liderou o ranking mundial. No segundo trimestre, ficou em terceiro lugar e, agora, mantém-se entre os países com maior perspectiva de expansão dos quadros de funcionários.
Os setores de Informação, Finanças e Seguros e Hospitalidade aparecem entre os mais aquecidos para novas contratações. A expectativa é de que empresas desses segmentos ampliem equipes para atender à crescente demanda por serviços, inovação tecnológica e experiências voltadas ao consumidor.
A pesquisa também aponta que a inteligência artificial se consolidou como uma das principais impulsionadoras desse movimento. Entre os empregadores brasileiros, 77% afirmam utilizar ferramentas de IA para atividades diárias com o objetivo de aumentar a produtividade. Outros 76% investem em soluções de IA voltadas à automação de processos, enquanto 75% destacam iniciativas de capacitação para preparar profissionais para o uso dessas tecnologias.
Além da transformação digital, as organizações vêm adotando diferentes estratégias para atrair e manter talentos. O levantamento revela que 68% das empresas apostam em programas de qualificação e requalificação profissional. O aumento salarial foi citado por 58% dos entrevistados, enquanto benefícios corporativos e programas de mentoria aparecem com 57% cada. Flexibilidade de local de trabalho (56%) e de horário (54%) também figuram entre as ações mais utilizadas.
Apesar do cenário favorável para geração de empregos, especialistas alertam que o desafio das empresas não se resume à abertura de vagas. O crescimento acelerado das contratações e a rápida incorporação de novas tecnologias vêm impondo obstáculos relacionados ao engajamento, integração e retenção de profissionais.
Nesse contexto, ganha relevância o papel da comunicação interna como ferramenta estratégica para conectar colaboradores e fortalecer a cultura organizacional. A avaliação é compartilhada por Hugo Godinho, CEO da Dialog, empresa especializada em comunicação interna e engajamento corporativo. A HR Tech atua em mais de 120 grandes empresas e possui presença em dez países, desenvolvendo soluções que combinam comunicação multicanal, inteligência artificial e gamificação para aproximar equipes e impulsionar resultados.
Segundo especialistas da área, processos de contratação em larga escala exigem atenção especial ao onboarding, etapa considerada decisiva para a adaptação e permanência dos novos profissionais. A falta de comunicação clara e alinhamento cultural pode comprometer investimentos feitos em recrutamento, treinamento e tecnologia.
Outro desafio está na preparação das equipes para a transformação provocada pela inteligência artificial. Embora a capacitação seja apontada como prioridade por grande parte das empresas, especialistas defendem que o sucesso da adoção tecnológica depende também de estratégias capazes de reduzir inseguranças, resistências e dúvidas dos colaboradores diante das mudanças.
Nos segmentos mais aquecidos da economia, como o setor de Informação, a necessidade de preservar a cultura organizacional tornou-se ainda mais relevante. Ambientes de trabalho híbridos, equipes distribuídas e ciclos rápidos de inovação exigem novos modelos de liderança e comunicação para manter profissionais alinhados aos objetivos da organização.
Especialistas destacam ainda que o engajamento dos colaboradores não pode ser tratado como responsabilidade exclusiva das áreas de Recursos Humanos ou Comunicação Interna. A participação ativa das lideranças é considerada fundamental para promover integração, senso de pertencimento e alinhamento estratégico.
Com o mercado de trabalho aquecido e a inteligência artificial transformando processos em diferentes setores, o desafio das organizações brasileiras passa a ser não apenas contratar mais, mas criar condições para que os profissionais permaneçam engajados, preparados para as mudanças e conectados à cultura da empresa. Nesse cenário, a capacidade de integrar pessoas e tecnologia tende a se tornar um dos principais diferenciais competitivos das empresas nos próximos anos.