Nesta quarta-feira (29), ocorreu a primeira reunião do Comitê de Política Monetário (COPOM) sob a gestão do novo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Alexandre Espirito Santo, coordenador de economia e finanças da ESPM e economista-chefe da Way Investimentos, preparou comentários a respeito do tema:
“Feita a termo em dezembro, a alta de 1 p.p. na Selic, para 13,25%, promovida na primeira reunião do Copom presidida por Gabriel Galípolo, era um “não evento”. A grande expectativa, de fato, recaia sobre o comunicado pós-encontro e como a nova diretoria irá encaminhar os próximos passos da política monetária.
Semana passada, o IPCA-15 sinalizou, mais uma vez, que a inflação, sobretudo a de serviços e alimentos, permanece elevada e merece a atuação firme do Banco Central, no intuito de reancorá-la no horizonte relevante. Ademais, o boletim Focus desta semana, apresentou uma deterioração significativa do IPCA de 2025; a 15ª consecutiva.
A recente reunião do Copom trouxe confirmações esperadas de alta na Selic, mantendo o foco nas expectativas inflacionárias. Os investidores devem ser cautelosos e considerar suas estratégias de alocação frente a um cenário de juros elevados e volatilidade. A combinação de ativos indexados ao IPCA com uma cuidadosa exposição a prefixados pode ser uma abordagem equilibrada, dependendo do perfil de risco de cada investidor.
Marcelo Bolzan, estrategista de investimentos e sócio da The Hill Capital, comenta sobre a recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que marcou a estreia de Gabriel Galípolo na presidência do Banco Central. O comitê decidiu aumentar a Selic em 1 ponto percentual, passando de 12,25% para 13,25%, uma medida amplamente esperada pelo mercado. O tom hawkish do comunicado reafirma preocupações com a inflação, tanto em nível doméstico quanto internacional, não apresentando novidades significativas em relação aos comunicados anteriores. A assimetria altista nas expectativas de inflação, junto a uma política fiscal que impacta a política monetária, foram pontos destacados.

Ana Paula Carvalho, planejadora financeira e sócia da AVG Capital, sugere que, diante desse cenário, ativos ligados ao IPCA ainda representam boas oportunidades, especialmente para prazos mais longos. Com taxas acima de 7% ao ano, esses títulos oferecem proteção contra a inflação e retornos reais consistentes. Em contraste, ativos prefixados podem ser arriscados e sua exposição deve ser limitada, especialmente para investidores conservadores.
Carolina Bohnert, também da The Hill Capital, reforça a atratividade dos ativos atrelados ao IPCA, destacando sua capacidade de proteger contra a inflação e diversificar carteiras. Os ativos pós-fixados, como Tesouro Selic e CDBs, são considerados os mais beneficiados nesse cenário de juros em alta. Para investidores com maior apetite a risco, o crédito privado pode ser uma alternativa viável, enquanto aqueles que priorizam segurança devem considerar o Tesouro Selic.
Jean Sfakianakis observa que o Copom, ao manter a votação unânime, sinalizou novas elevações na Selic, deixando a porta aberta para ajustes conforme a dinâmica da inflação evoluir. O comunicado também enfatiza a importância de uma política fiscal responsável para reancorar as expectativas de inflação, uma questão que pode influenciar fortemente as decisões futuras do Banco Central.