Bancos digitais lideram crédito no Brasil
5 de junho de 2026
Redação

Os neobanks consolidaram sua posição como principal porta de entrada ao crédito no Brasil e lideram o atendimento exclusivo à maioria dos consumidores com cartão de crédito e empréstimo pessoal ativos no país. Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado dessas operações vem acompanhado de uma forte alta da inadimplência, como exemplo, entre 2021 e 2025, o índice de inadimplentes  em cartões de crédito cresceu 163,33%, enquanto a base de consumidores avançou 14,95%. “O estudo mostra como os bancos digitais passaram a ocupar um papel de alta relevância no acesso ao crédito no Brasil, especialmente entre consumidores que antes estavam fora do sistema financeiro. Ao mesmo tempo, os dados ajudam a entender mudanças no comportamento financeiro dos brasileiros e os desafios que esse novo cenário traz para o mercado de crédito”, afirma Silvio Santana, VP Comercial de Key Accounts da Equifax.

É o que mostra o estudo “Neobanks: a nova fonte de crédito 2026”, desenvolvido pela Equifax Boa Vista com base na análise de mais de 165 milhões de CPFs entre 2021 e 2025.

Segundo o levantamento, os bancos digitais passaram a atender de forma exclusiva 47,1% dos indivíduos com cartão de crédito ativo em 2025, avanço de 19,2 pontos percentuais em relação a 2021. No empréstimo pessoal, a participação chegou a 51,8%, crescimento de 33,8 pontos percentuais no mesmo período.

O estudo também mostra que os neobanks tiveram papel central na inclusão financeira de consumidores que ainda não tinham acesso ao crédito. Em 2025, 41,4% dos cartões emitidos por bancos digitais representaram o primeiro cartão de crédito dos consumidores, enquanto entre os bancos tradicionais esse percentual foi de 4,9%.

No empréstimo pessoal, 10,2% dos consumidores que receberam crédito pela primeira vez foram atendidos por neobanks, contra 9,9% nos bancos tradicionais.

“Os bancos digitais protagonizaram uma das maiores transformações do sistema financeiro brasileiro na última década. Levar crédito a milhões de pessoas que nunca tiveram acesso a um cartão ou empréstimo é um avanço inegável, e os dados mostram isso com clareza. O próximo passo é garantir que essa inclusão venha acompanhada de educação financeira e ferramentas que ajudem esse novo consumidor a usar o crédito de forma saudável”, afirma Eduardo Cavalheiro, Head de Marketing da Acordo Certo

Crédito digital acelera participação no mercado

Embora os bancos tradicionais ainda concentrem o maior saldo de crédito ativo, os neobanks registraram o ritmo mais acelerado de expansão nas operações de crédito.Entre 2021 e 2025, o saldo de crédito ativo por bancos digitais — considerando cartões de crédito e empréstimos pessoais — avançou mais de 360%. Nos bancos tradicionais, o crescimento foi de 35,7%.

Em 2021, os neobanks respondiam por apenas 11,8% do total de crédito ativo. Em 2025, passaram a representar 31,8% do mercado.

Apesar desse avanço, os bancos tradicionais ainda mantêm forte relação de confiança com os consumidores. Pesquisa de opinião realizada pela Acordo Certo mostra que 66,9% dos brasileiros acreditam que os bancos tradicionais são os mais preparados para uma crise econômica e 61,15% dos brasileiros consideram os bancos tradicionais sua principal instituição financeira, enquanto 71,5% afirmam que não trocariam um banco tradicional por um digital.

Entre os entrevistados dispostos a migrar, o principal fator apontado foi acesso ao maior volume de crédito, citado por 46,9%, seguido por juros menores, com 25,6%.

“O expressivo crescimento da participação dos neobanks na oferta de crédito à pessoa física eleva o grau de concorrência do mercado, ampliando a oferta e o poder de barganha dos consumidores. Ambos os efeitos contribuem para a redução da taxa de juros e ampliação dos prazos de financiamento, representando melhora das condições de crédito”, afirma Ulisses Monteiro Ruiz de Gamboa, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Segundo o economista, o crescimento ocorre em um cenário de manutenção da taxa Selic em patamares elevados por mais tempo do que o esperado, devido aos efeitos inflacionários da guerra no Oriente Médio. “Nesse contexto, a expansão do crédito viabilizada pelos neobanks ajuda, conjuntamente com os aumentos de renda e emprego, a minimizar a desaceleração da atividade econômica”, diz.

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