Avanço do Amazon Now pressiona varejo
20 de julho de 2026
Redação

O e-commerce brasileiro acaba de avançar mais um passo em sua consolidação. A chegada do serviço Amazon Now, com entregas rápidas de até 15 minutos de itens essenciais e compras de supermercado – incluindo alimentos frescos –, acirrou a competição com as grandes varejistas locais. O economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, acredita que as empresas nacionais enfrentam vulnerabilidade diante do poder de investimento da gigante norte-americana.

Para Mendlowicz, a rapidez da Amazon altera a dinâmica de consumo, dificultando a concorrência direta das redes que integram o varejo tradicional. Enquanto o consumidor lida com prazos longos de entrega, a multinacional foca na agilidade extrema. “O brasileiro está acostumado a comprar em redes como Magalu e Casas Bahia, com prazos de entrega que podem levar sete dias úteis ou até mais em alguns casos. Aí vem uma empresa e fala: ‘Eu te entrego em 15 minutos’. A concorrência inevitavelmente ficará mais acirrada com o avanço da Amazon no país”, compara.

De acordo com o Economic News Brasil, o comércio digital representa 14% do varejo nacional, contra 40% em mercados maduros. Embora o panorama tenha atraído o interesse da Amazon, entraves logísticos limitam o setor. “Será que a logística no Brasil é muito ruim? Será que problemas como o roubo de carga dificultam tudo? A verdade é que os gargalos de segurança pública devem ser levados em conta e geram receio na abertura de novos centros de distribuição”, comenta o economista.

Disparidade de capital distancia multinacionais da concorrência local

Na visão do Economista Sincero, a disparidade de capital enfraquece as marcas locais. Sob juros altos e inflação, as varejistas enfrentam custos elevados de crédito, enquanto corporações globais, como a Amazon, captam recursos no exterior em condições favoráveis. Esse desequilíbrio financeiro limita os investimentos em modernização e expansão das redes brasileiras, que operam com suas margens sob forte pressão.

“Se a Amazon precisar, consegue captar dinheiro nos Estados Unidos com taxas entre 4% e 5% ao ano. Empresas como Casas Bahia e Magalu enfrentam taxas de 17% no mínimo. Olha a competição desigual”, pondera. Esse fôlego é traduzido em aportes: a Amazon investiu R$ 75 bilhões no país em 15 anos, o Mercado Livre projeta investir R$ 57 bilhões até o fim de 2026, enquanto a Magalu reportou prejuízo líquido ajustado de R$ 33,9 milhões no primeiro trimestre.

Essa assimetria competitiva força as redes brasileiras a adotarem recuos operacionais estratégicos. Um reflexo disso é a decisão de aderir à estrutura de logística da rival. “A Magalu está começando a usar o sistema da Amazon para venda e para logística. Eu acho que isso é quase como você levantar uma bandeira branca e se render à concorrência”, adverte o economista.

O impacto financeiro é severo: as ações do Magazine Luiza acumulam queda de 49,37% em 2026, e as da Casas Bahia sofreram queda de 46% no primeiro trimestre. Além disso, as alternativas de frete viáveis diminuem diante da crise nos Correios, estatal que acumula dificuldades orçamentárias e planos de demissões voluntárias.

Mendlowicz alerta que o domínio estrangeiro pode enfraquecer a economia local. “Ou as varejistas começam a prestar atenção para se movimentar e mudar o cenário, ou a Amazon junto com o Mercado Livre dominarão o e-commerce no Brasil. Não é isso que queremos. Quando o dinheiro sai do país e vai para os Estados Unidos ou para a Argentina, ficamos sem uma indústria e comércio fortes no Brasil”, conclui.

Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero

Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso no mercado financeiro e no varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller “18 princípios para você evoluir”. Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.

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