O recente ataque cibernético à ASUS, que resultou no vazamento de cerca de 1 terabyte de dados confidenciais, reforça um ponto crítico que ainda desafia grande parte das empresas: a falta de preparo estratégico para lidar com incidentes de segurança digital. O grupo de ransomware Everest assumiu a autoria do ataque, que teria ocorrido por meio de um fornecedor terceirizado da companhia, expondo informações técnicas e código-fonte de projetos de câmeras.
Para Erik de Lopes Morais, COO da Penso Tecnologia, o episódio serve de alerta para todo o mercado. “O caso da ASUS é um exemplo claro de como a vulnerabilidade pode estar fora do perímetro tradicional de TI. A segurança precisa ser vista de forma integrada, envolvendo governança, gestão de riscos e continuidade de negócios. Não basta ter tecnologia; é preciso resiliência digital”, afirma.

O vazamento, que ganhou repercussão após a empresa não responder a um ultimato dos criminosos, mostra que ataques desse tipo estão cada vez mais sofisticados e que as cadeias de fornecedores continuam sendo um ponto frágil para companhias de todos os portes. Segundo Erik, o erro mais comum é acreditar que apenas investir em infraestrutura técnica é suficiente. “Muitas organizações confundem ter backup com estar protegidas. Backup é importante, mas sem testes de recuperação, plano de resposta a incidentes e cultura de segurança, o impacto de um ataque pode ser devastador”, completa.
A ASUS confirmou que um de seus parceiros foi alvo do ataque, mas afirmou que os sistemas internos e os dados de usuários não foram comprometidos. Ainda assim, o caso reacende o debate sobre a importância de revisar contratos, monitorar provedores e reforçar protocolos de segurança em toda a cadeia. “As empresas precisam tratar cibersegurança como parte da estratégia de continuidade do negócio. Não é mais um tema técnico, e sim de sobrevivência corporativa”, pontua o executivo.
Para o executivo da Penso Tecnologia, o incidente deixa claro que o verdadeiro diferencial competitivo hoje está na resiliência digital, a capacidade de antecipar riscos, responder rapidamente e manter operações ativas mesmo diante de crises. “Empresas que tratam a segurança apenas como uma camada tecnológica estão fadadas a repetir erros. Resiliência digital é sobre antecipar, preparar e responder não apenas reagir quando o dano já aconteceu”, conclui Erik.