Apostas e crédito ampliam dívidas das famílias
8 de junho de 2026
Redação

O avanço do superendividamento das famílias brasileiras e a explosão do crédito de consumo debatidos nesta 
semana durante encontro nacional promovido por SEBRAE e ABCRED, em São Paulo. Especialistas alertaram 
para o crescimento de modalidades de crédito consideradas mais caras e defenderam o fortalecimento do
microcrédito produtivo como alternativa para geração de renda e inclusão financeira.
 

O tema foi um dos destaques do 2º Encontro Nacional SEBRAE e ABCRED, realizado na capital paulista e que 
reuniu representantes de instituições de microfinanças, especialistas e lideranças do setor para discutir os desafios 
do crédito no país.
 

Durante o evento, o economista Lauro Gonzalez, professor da FGV, apresentou dados sobre o avanço do superendividamento e os impactos do atual modelo de crédito no Brasil. Segundo ele, o país passou por uma 
forte expansão do crédito voltado ao consumo, especialmente após 2020, com crescimento concentrado em 
modalidades mais caras e digitais.
 

“O Brasil ampliou o acesso ao crédito, mas isso não significa necessariamente melhora na qualidade do crédito 
ofertado. Hoje temos uma expansão importante das modalidades de consumo, muitas vezes caras, que acabam agravando o comprometimento da renda das famílias”, afirmou Gonzalez durante a palestra.
 

O especialista destacou ainda que medidas emergenciais de renegociação ajudam momentaneamente, 
mas não resolvem as causas estruturais do problema.
 

“Programas de renegociação aliviam a pressão no curto prazo, mas o desconforto financeiro volta a crescer 
se não houver mudança estrutural na forma como o crédito é ofertado. Precisamos ampliar o acesso ao crédito 
de qualidade, especialmente o microcrédito produtivo orientado”, afirmou.
 

O debate ocorre em um momento em que o superendividamento passou a ocupar espaço central nas discussões econômicas e sociais do país. Em artigo recente, o consultor da ABCRED João Krein avalia que o cenário atual é resultado de fatores que vão além da economia tradicional, envolvendo informalidade, precarização do trabalho, 
pressão por consumo e expansão do crédito fácil aliado às apostas digitais.
 

Segundo Krein, o problema não pode ser analisado apenas pelos indicadores econômicos tradicionais.

“O crescimento do PIB, a queda do desemprego ou mesmo o aumento da renda média já não conseguem explicar sozinhos o ambiente social do país. O superendividamento hoje também está relacionado à insegurança financeira, 
à desesperança e à fragilidade das relações econômicas”, afirma no artigo.
 

Para a presidente da ABCRED, Isabel Baggio, o debate sobre crédito no Brasil precisa avançar além da ampliação 
da oferta.
 

“O Brasil não sofre apenas com falta de crédito. Sofre também com excesso de crédito ruim, caro e pouco 
conectado à geração de renda. O microcrédito produtivo orientado nasce justamente como alternativa a esse 
modelo”, afirma.
 

Segundo Isabel, o diferencial do microcrédito está no foco produtivo e no acompanhamento técnico, especialmente 
junto a pequenos empreendedores e trabalhadores informais.
 

“Quando o crédito vem acompanhado de orientação e tem foco produtivo, ele deixa de ser apenas uma dívida e 
passa a ser instrumento de desenvolvimento, inclusão produtiva e fortalecimento das economias locais”, diz.
 

Dados da ABCRED mostram que as instituições associadas movimentaram mais de R$ 1,9 bilhão em operações de microcrédito em 2025, com mais de 188 mil contratos realizados em todo o país. Segundo Isabel, os resultados 
também evidenciam a importância do crédito assistido, cuja metodologia de acompanhamento contribui para reduzir riscos e ampliar a capacidade de pagamento dos clientes. “Quando o crédito é ofertado sem orientação, a tendência 
é de maior vulnerabilidade financeira e aumento do risco de inadimplência.”

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