Após Café gourmet, Areia planeja produção de uvas
25 de junho de 2026
Redação

Conhecida nacionalmente por sua tradição histórica, cultural e turística, Areia, no Brejo paraibano, vive um novo momento no campo. O município, que já é reconhecido por lei como Capital Paraibana da Cachaça e das Flores, desponta agora como um importante polo de produção de cafés especiais e gourmet, fortalecendo a agricultura familiar e ampliando as experiências oferecidas aos visitantes.

O avanço da cafeicultura é resultado de uma parceria entre a Associação de Turismo Rural e Cultural de Areia (Atura) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), por meio do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Cafeicultura (NECAF). A iniciativa incentivou produtores rurais e empreendedores do turismo a investirem no cultivo do café arábica, transformando propriedades em espaços produtivos e turísticos.
Segundo o presidente da Atura, Leonaldo Alves de Andrade, o projeto foi responsável por retirar a cultura do café dos campos experimentais da universidade e levá-la para as propriedades rurais do município.

“Apresentamos à Atura o projeto de estímulo ao café como produto associado ao turismo. A associação financiou a produção das mudas no primeiro ano e elas foram distribuídas entre os associados interessados em plantar. Foi um projeto muito feliz, que deu o start para a cafeicultura fora do ambiente acadêmico e levou o café para os pequenos produtores e para as comunidades onde o turismo está presente”, destaca. Ele ressalta que a iniciativa contribuiu para o surgimento de diversas marcas locais.

“Hoje já temos vários produtores de cafés especiais em Areia oferecendo esse produto ao turista. É um projeto sustentável porque gera trabalho, renda e encantamento, além de permitir que o produtor rural produza em sua propriedade um produto nobre e muito desejado”, afirma.

Além do café, a carteira de projetos da entidade contempla outras cadeias produtivas ligadas ao turismo, como flores, meliponicultura e o projeto do Pintor-Verdadeiro, ave transformada em mascote oficial do turismo de Areia.
Agora, uma nova aposta começa a ganhar força: o cultivo de uvas viníferas.
“Estamos estimulando mais um produto associado ao turismo, que é o plantio de uvas viníferas. Já realizamos visitas técnicas a propriedades-modelo e queremos trazer essa experiência para Areia. Esperamos que, assim como aconteceu com o café, os produtores abracem essa ideia. Queremos que Areia tenha não apenas a cachaça, mas também o mel, o café e, em breve, o vinho como produtos associados ao turismo. Isso enriquece e torna o turismo cada vez mais sustentável”, ressalta Leonaldo.

Com temperatura amena, altitude e características de solo favoráveis, Areia reúne condições consideradas adequadas para o desenvolvimento da vitivinicultura, abrindo caminho para mais uma atividade capaz de agregar valor à economia local.

Seis marcas de café de associados Atura fortalecem o turismo rural

Atualmente, seis marcas de cafés especiais produzidas por associados da Atura já estão chegando ao mercado e conquistando consumidores.

Café Várzea do Coaty – Maísa Melo

Produzido com colheita manual e seletiva, o Café Várzea do Coaty trabalha exclusivamente com frutos maduros em estágio cereja.

“Nós respeitamos o tempo das plantas, colhendo os frutos um a um em seu ápice de maturação, secagem longa (22 dias) em terreiro suspenso até chegar à umidade para torrar, podendo assim atingir o máximo de sabor que nossos frutos têm a oferecer”, detalha Maísa Melo.

A produtora cultiva cinco variedades de café arábica —Catucaí Amarelo, Catuaí Amarelo, Catuaí Vermelho, Mundo Novo e Arara. Um dos lotes da variedade Arara já alcançou 86,5 pontos na escala internacional da Specialty Coffee Association (SCA), classificação que o enquadra como café especial de qualidade superior.

Café Tá na Roça – Arleidy Alves

A história do Café Tá na Roça começou em 2023, a partir do projeto desenvolvido pela UFPB e Atura. “Comecei a plantar em 2023 com 200 mudas e no ano seguinte plantei mais 100. A primeira colheita foi no final de 2025 e lancei a marca em maio de 2026 durante o congresso do NECAF. Toda a produção deste ano já foi vendida”, comemora Arleidy Alves.

O café é da variedade Catucaí 24/137, da espécie arábica, e a propriedade já recebe visitantes interessados em conhecer o cafezal.

Café Turmalina da Serra – Jurandir Miranda

Com dois hectares plantados e um hectare já em produção, o Café Turmalina da Serra prepara novas experiências para os visitantes.
“Estamos finalizando um espaço onde o cliente poderá acompanhar a torra, a moagem e preparar seu café na hora. Nosso café é orgânico, especial e produzido com colheita manual”, destaca Jurandir Miranda. Segundo ele, a bebida apresenta notas sensoriais de chocolate, baunilha, caramelo e florais.

Café Sinergia – Engenho Triunfo

Produzido pela família Baracho no Engenho Triunfo, o Café Sinergia nasceu com a proposta de resgatar a tradição cafeeira do Brejo Paraibano.

“Mais que um café especial, o Sinergia é o resultado do trabalho e do sonho de uma família. Cada xícara carrega dedicação, afeto e a certeza de que grandes conquistas nascem quando todos trabalham em sintonia”, destaca a empresária Maria Júlia Baracho.

O café é comercializado na Lojinha do Parque Engenho Triunfo e na recepção do Hotel Fazenda Triunfo.

Café Dona Nininha – Márcia Gondim

Produzido no Engenho Tapuio, o Café Dona Nininha integra um sistema produtivo que une agricultura, flores e turismo rural.

“Nossa produção nasceu do Projeto de Resgate da Cafeicultura desenvolvido pela UFPB, com apoio da ATURA, Sebrae e parceiros comprometidos com a agricultura familiar”, explica Márcia Gondim.

O plantio teve início em maio de 2023. A primeira colheita ocorreu em agosto de 2025 e o lançamento da marca aconteceu em abril de 2026, com toda a produção comercializada rapidamente.

Café da Lêda – Lêda Maria

A história do Café da Lêda começou de forma despretensiosa, quando a empresária recebeu seis mudas de presente de um professor mineiro.
“Em março de 2023, através do projeto da Atura em parceria com a UFPB, decidi abraçar o cultivo de vez. Hoje cuidamos de 1.500 pés de café e estamos produzindo cafés especiais. Tudo começou com seis mudas e se transformou em um grande sonho”, conta Lêda Maria.

O primeiro lançamento da marca ocorreu durante o lançamento de seu livro “Momentos Meus”, em uma degustação que uniu literatura e café. Atualmente, a produção cresce a cada safra e a expectativa é receber visitantes para experiências ligadas à cafeicultura na propriedade.

Turismo com sabor e identidade

O fortalecimento da produção de cafés especiais reforça a proposta de Areia de integrar agricultura, turismo e sustentabilidade. Ao lado da cachaça, das flores, da gastronomia, do patrimônio histórico e das experiências rurais, o café passa a ocupar papel de destaque na economia local.

E, se depender dos projetos em andamento, em breve o visitante também poderá brindar sua passagem pelo Brejo paraibano com vinhos produzidos na serra de Areia, consolidando o município como um dos mais diversificados destinos de turismo rural do Nordeste.

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