O número de companhias no vermelho atingiu um novo pico e chegou a 9,2 milhões de CNPJs em julho de 2026, segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil. No período, o total de dívidas inadimplidas atingiu 67,2 milhões, somando R$ 238,6 bilhões. Em média, cada negócio inadimplente acumulou 7,3 contas negativadas, com dívida média de R$ 25.983,88 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.551,59.
Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a permanência da inadimplência em níveis elevados ocorre em um momento em que as condições financeiras continuam restritivas. “Apesar dos cortes recentes da Selic, ainda não observamos uma mudança estrutural nas condições financeiras. O mercado continua precificando juros elevados por um período prolongado, e é essa expectativa que influencia diretamente o custo de financiamento e a capacidade das empresas de rolar suas dívidas. Ao mesmo tempo, a atividade econômica entra em uma trajetória mais clara de desaceleração. Portanto, temos uma combinação de custo financeiro ainda alto com menor dinamismo da receita, que mantém o ambiente bastante desafiador para a regularização dos passivos.”
Setores inadimplentes e perfil das dívidas
Do total de empresas que estavam negativadas em julho, 55,8% eram do setor de “Serviços”. Na sequência apareceram aquelas do “Comércio” (32,1%), “Indústria” (8,0%) e do segmento “Primário” (1,0%).
Perfil das dívidas inadimplidas
Em relação à origem das dívidas inadimplidas, o maior peso ficou com “Serviços” (31,7%), seguido por “Bancos/Cartões” (19,7%). Na sequência apareceram “Cooperativas” (8,5%), “Utilities” (6,9%) e “Telefonia” (6,2%). As instituições financeiras, considerando “Bancos/Cartões” e “Financeiras”, concentraram 24,3% das pendências, enquanto 75,7% estavam fora desse grupo.
“O fato de mais de três quartos das dívidas inadimplidas estarem fora das instituições financeiras mostra que a dificuldade financeira das empresas não está restrita ao crédito bancário. Ela também alcança compromissos relacionados à própria operação, como por exemplo: pagamento de contas básicas e fornecedores. Quando a empresa enfrenta um fluxo de caixa mais apertado, a dificuldade de pagamento pode ser distribuída por diferentes obrigações, o que torna a reorganização financeira mais complexa”, explica Camila.

Visão regional
Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior volume de empresas inadimplentes em julho de 2026, com destaque para São Paulo (3.147.102), seguido por Minas Gerais (915.410) e Rio de Janeiro (870.189). Na sequência apareceram Paraná (607.497) e Rio Grande do Sul (533.041).
Micro e pequenas empresas seguiram concentrando a inadimplência
As micro e pequenas empresas seguiram como maioria expressiva da inadimplência empresarial no país em julho, com 8,7 milhões de CNPJs negativados. O grupo concentrou 60,5 milhões de dívidas, que somaram R$ 206 bilhões. Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 6,9 contas negativadas, com dívida média de R$ 23.574,33 e ticket médio de R$ 3.403,77.
“As micro e pequenas empresas enfrentam uma combinação particularmente desafiadora: inadimplência elevada e crédito cada vez mais restrito. Mesmo em períodos de normalidade, empresas desse porte já encontram mais barreiras para acessar financiamento. No cenário atual, a piora dos indicadores de atraso reforça a cautela dos credores, que também lidam com limitações de informação para avaliar o risco desses negócios. Essa menor visibilidade aumenta a incerteza e contribui para um ambiente de concessão mais seletivo, tornando ainda mais difícil o acesso aos recursos necessários para capital de giro e sustentação da operação”, conclui a economista-chefe da datatech.