9 economistas projetam cenário de risco no crédito
7 de agosto de 2025
Redação

 “O cenário atual reforça a importância de mecanismos de crédito estruturado com agilidade e lastro na economia real. O plano do governo busca oferecer suporte aos setores exportadores, mas também adiciona pressão sobre o orçamento público. Para manter o crescimento mesmo diante do tarifaço, sem depender exclusivamente de apoio estatal, as empresas podem recorrer ao crédito privado, como os FIDCs, que ganham relevância como alternativa para garantir liquidez em setores estratégicos. A instabilidade pode ser superada com estratégia, governança eficiente e estruturação bem direcionada. O investidor segue atento e disposto, desde que haja clareza e segurança nos fundamentos da operação”, Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX.

 “A movimentação do governo para sustentar os setores mais afetados pelas tarifas reforça a intenção de preservar segmentos estratégicos da economia brasileira. A discussão sobre equilíbrio fiscal é válida, especialmente em um cenário global mais sensível a movimentos protecionistas, como o tarifaço. Ao mesmo tempo, a atenção se volta para a capacidade de ampliar mercados, garantir liquidez e manter a confiança do investidor. O agro segue como pilar central da economia, e o momento reforça a importância de planejamento financeiro, inteligência comercial e acesso a crédito bem estruturado”, Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital.

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“O plano emergencial do governo pode agravar ainda mais o desequilíbrio fiscal ao criar novas despesas sem indicar como irá compensá-las. A resposta às tarifas é compreensível, mas insuficiente para proteger, de forma consistente, os setores exportadores mais impactados. A instabilidade gerada tanto pela taxação externa quanto pela reação apressada do governo afasta investimentos e amplia a desconfiança num momento em que o país precisava de firmeza, não de improviso”, Carlos Braga Monteiro, CEO do Grupo Studio. 

“O pacote emergencial do governo busca mitigar os impactos do tarifaço, mas amplia a pressão sobre as contas públicas num momento fiscal já delicado. É uma resposta pontual, que alivia os exportadores no curto prazo, mas não resolve a vulnerabilidade estrutural do Brasil. Além disso, a combinação de instabilidade externa e reação fiscal imediata pode elevar a percepção de risco e frear investimentos”, Pedro Ros, CEO da Referência Capital.

“O pacote emergencial diante do tarifaço revela a urgência de proteger setores estratégicos, mas também escancara o desafio de manter a disciplina fiscal. Para lideranças empresariais, o momento exige decisões rápidas e fundamentadas, com atenção redobrada à estrutura de capital, planejamento financeiro e modelo de negócios. Em um ciclo de alta imprevisibilidade, empresas com gestão sólida e cultura de alta performance tendem a se destacar na captação de recursos e na manutenção do crescimento”, Jorge Kotz, CEO da Holding Grupo X.

“O apoio público à cadeia exportadora é compreensível diante do impacto das tarifas, mas também acende alertas sobre o uso do espaço fiscal. Neste cenário, soluções com fundamentos técnicos se tornam essenciais. Estruturas de crédito lastreadas, com forte governança e originação responsável, passam a ser não só alternativas, mas exigências de mercado. A busca por eficiência, previsibilidade e controle é o que vai separar os projetos sustentáveis dos vulneráveis neste novo ciclo”, Gustavo Assis, CEO da Asset Bank.

“A ofensiva tarifária dos EUA e a resposta emergencial do governo colocam o Brasil no centro das discussões sobre competitividade e estratégia econômica. Apesar da pressão fiscal, o momento também abre oportunidades para inovação e avanço de negócios com propostas sólidas e capacidade de adaptação. Startups com modelos escaláveis, soluções alinhadas a mercados estratégicos e gestão eficiente tendem a ganhar espaço, mesmo em um cenário de maior seletividade. Para quem enxerga o longo prazo, este é um momento de posicionamento, não de retração”, João Kepler, CEO da Equity Group.

“O governo brasileiro criou um pacote emergencial com créditos especiais, compras de insumos e proteção ao trabalhador para amenizar o “tarifaço” dos EUA de até 50%, que afeta 35,9% das nossas exportações. Porém, o crédito extra necessário pressiona o arcabouço fiscal e pode piorar as contas públicas. As medidas de alívio não conseguem compensar totalmente a perda de competitividade dos setores afetados. Com a incerteza sobre tarifas e a reação fiscal, o risco-país e a volatilidade aumentam, desestimulando investimentos no Brasil”, Fábio Murad, Economista e CEO da Super-ETF Educação.

“O esforço para proteger setores-chave é válido, mas precisa estar integrado a uma estratégia de longo prazo. O Brasil tem ativos valiosos, mão de obra qualificada e posição geográfica estratégica. O que o investidor quer ver agora é consistência: medidas que não apenas amortizem o choque externo, mas que sinalizem um compromisso com a sustentabilidade fiscal e a modernização da economia”, Felipe Vasconcellos, sócio da Equus Capital.

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