Um levantamento com base em dados do Serasa, Receita Federal e governo federal mostra que cerca de 7,3 milhões de empresas brasileiras enfrentam problemas de liquidez, o que representa 32% do total de 23 milhões de negócios ativos no país. O montante das dívidas empresariais ultrapassa R$ 170 bilhões, evidenciando o impacto econômico do endividamento sobre a atividade produtiva.
Mesmo diante do quadro, a recuperação judicial segue sendo pouco utilizada. Em 2024, o Brasil registrou apenas 2.273 pedidos, número considerado recorde, mas ainda irrisório frente às quase 2 milhões de empresas que encerram atividades anualmente.
Segundo Marcos Pelozato, advogado e contador com 14 anos de atuação em reestruturação empresarial, a baixa adesão está ligada à percepção negativa em torno do mecanismo. “O sistema brasileiro ainda trata a recuperação judicial como um recurso negativo, e isso desestimula o empresário a buscá-la. Há um estigma de que o uso desse instrumento está ligado à má-fé, quando, na verdade, trata-se de uma ferramenta legítima prevista em lei para permitir a reorganização de empresas viáveis”, afirma.
A taxa de mortalidade empresarial no país permanece elevada. Estimativas do governo federal indicam que mais de 60% das empresas fecham as portas em até cinco anos. Com a combinação de alta de juros, margens apertadas e queda de consumo, especialistas alertam que a tendência é de agravamento.

Pelozato ressalta que, em muitos casos, alternativas de reestruturação administrativa, fiscal e financeira podem ser aplicadas antes que a situação se torne irreversível. “Muitos empresários só buscam ajuda em estágio avançado de desorganização, quando as chances de recuperação são menores. O ideal é procurar orientação logo nos primeiros sinais de dificuldade, evitando a falência e preservando empregos”, explica.
O especialista defende também maior capacitação de contadores e advogados para atuação nesse nicho. “A falta de profissionais preparados trava o mercado. Precisamos ampliar a formação prática em reestruturação empresarial para salvar mais companhias e gerar impacto positivo na economia”, completa.
Sobre Marcos Pelozato
Marcos Pelozato é advogado, contador e empresário com 14 anos de atuação no setor de reestruturação empresarial e recuperação judicial. Reconhecido como referência no segmento, presta assessoria estratégica a empresas em crise financeira, com foco em reorganização societária, gestão de passivos e recuperação de negócios.