50,2% dos jornalistas têm sinais de depressão
17 de setembro de 2026
Redação

Um levantamento nacional inédito coordenado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) em parceria com a Fundacentro revelou dados sobre a deterioração da saúde mental na imprensa do país. O relatório técnico “Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil” aponta que 50,2% dos profissionais da categoria apresentam sintomas de depressão, com uma parcela expressiva enquadrada nos níveis considerado severo e extremamente severo de sofrimento psíquico.

O estudo coletou informações detalhadas sobre a rotina de 257 profissionais que atuam em diferentes mídias e formatos de contratação em todo o território nacional. Além da depressão, o diagnóstico epidemiológico aponta alta prevalência de outros distúrbios de ordem psicossocial e comportamental.

Sintomas de Estresse: Identificados em 47,8% dos participantes.

Sintomas de Insônia: Relatados por 47,9% da categoria.

Sintomas de Ansiedade: Presentes no quadro clínico de 35,8% dos profissionais.

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Consumo de Álcool de Risco: Padrões associados ao uso nocivo ou provável dependência química foram registrados em 21,5% da amostra.

Ambiente de Trabalho e Riscos Psicossociais

Os pesquisadores e analistas do estudo apontam que o surto de adoecimento psíquico na profissão está diretamente conectado à degradação e ao modelo de organização das redações. De acordo com a metodologia baseada no modelo de estresse ocupacional de Karasek, 28% dos jornalistas operam sob regime de “Alto Desgaste”, caracterizado pela combinação de alta demanda por produtividade e baixíssimo controle ou autonomia sobre os processos de trabalho.

O quadro é agravado pelo isolamento corporativo, uma vez que 61,1% dos entrevistados percebem baixo apoio social vindo de chefias e colegas no ambiente profissional. Além das pressões inerentes à cobertura diária de notícias, a violência psicossocial direta também se consolidou como fator de adoecimento de rotina.

O relatório acende um alerta ao indicar que 37% dos jornalistas brasileiros sofrem assédio moral e 30,4% relatam episódios frequentes de cyberbullying ou perseguição digital em decorrência do exercício da atividade.

Impacto na Capacidade Laboral e Qualidade da Informação

De acordo com o presidente em exercício e as notas das comissões sindicais, a fragilização da saúde mental atinge o direito constitucional da sociedade de acesso à informação limpa, ao comprometer diretamente a tomada de decisões rápidas, a criatividade e a capacidade laboral do indivíduo.

Os dados mostram que 33,1% dos profissionais já apresentam baixa capacidade para o trabalho.

A publicação do relatório serve como base epidemiológica para fundamentar reivindicações e propostas corporativas com foco em segurança ocupacional.

A federação defende que as empresas de mídia revisem o fluxo operacional de trabalho e incorporem a gestão preventiva de riscos psicossociais nas políticas de medicina do trabalho, em conformidade com as novas diretrizes da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) do Ministério do Trabalho.

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