O artista visual e realizador João Lobo esteve recentemente em Ingá para produzir cenas do filme “INDEX itacoatiara ingá”. Direcionado para a comunidade internacional, este trabalho, produzido pela empresa paraibana OWL, com música exclusiva composta por Eli-Eri Moura e realizado em inglês, conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Ingá, do prefeito Jan Lenha e acompanhará a exposição “ÍNDICE itacoatiara ingá”, que será exibida no Museo Nacional de Antropologia da Espanha, no próximo ano em Madrid.

A obra “ÍNDICE itacoatiara ingá” do artista visual João Lobo é um projeto artístico realizado em três suportes: um livro, um filme e uma exposição que utilizam o vídeo e a fotografia com caracteres ampliados para estabelecer um profundo diálogo entre o passado, o presente, o futuro, a tecnologia e a arte.
A exposição, que foi apresentada no Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa em 2022, é um estudo visual e reflexivo sobre as gravuras rupestres milenares do sítio arqueológico da pedra do Ingá, na Paraíba.
O trabalho de João Lobo se afasta da abordagem puramente documental ou científica e lança uma interpretação puramente artística. Ele utiliza a imagem não apenas para registrar, mas para criar novas leituras e significados a partir das inscrições na rocha. O artista considera a pedra do Ingá uma “obra de arte” e, a partir dela, cria seu próprio conceito, com o objetivo de gerar reflexão sobre a linguagem visual, a memória e a preservação do patrimônio cultural.

O trabalho é dividido em três capítulos, que representam uma jornada temporal e tecnológica:
Yesterday (Ontem): utilizando a tecnologia fotográfica analógica de 2004,
quando o projeto foi iniciado, este capítulo convida o público a uma viagem ao passado.
As imagens são impressas em materiais diversos como madeira, tela e tecido,
reforçando a conexão com o tempo e a materialidade da obra original.Today (Hoje): esta seção explora caracteres da fotografia formal é apresentada
em impressões tradicionais, ou seja, fotografias em papel, a abrir espaços que possam
gerar reflexões sobre àqueles símbolos rupestres e a incógnita que eles representam no
presente.
Tomorrow (Amanhã): com impressões em placas de acrílico, este capítulo traz
uma dimensão futurista e tridimensional, simbolizando o potencial de novas leituras e
a contínua relevância do patrimônio histórico.
João Lobo busca resgatar, através dos detalhes e recortes das gravuras, a magia
e o significado que certamente envolviam os rituais e cultos dos povos pré-históricos. O
título da obra, “ÍNDICE”, sugere um ponto de partida, um guia para a interpretação, e
não uma conclusão. O artista nos convida a decifrar e a nos conectar com esses “índices”
pré-históricos, que são os traços e sinais deixados na rocha.
Além de ser um trabalho estético, a obra “ÍNDICE itacoatiara ingá” tem um
importante papel na valorização e defesa do patrimônio cultural brasileiro. Ao levar a
pedra do Ingá para um contexto internacional, João Lobo busca não só celebrar a arte e a história pré-colonial, mas também chamar a atenção para a necessidade de um estudo
sistemático e de proteção para este importante monumento