30% em idade reprodutiva têm anemia
11 de junho de 2026
Redação

A anemia é uma doença hematológica, causada pela deficiência das hemácias, componente do sangue responsável por transportar oxigênio para os tecidos do corpo. A doença pode ser causada por fatores como hereditariedade, problemas na médula óssea, doenças crônicas, perda de sangue ou deficiência de uma série de vitaminas no corpo. Mas 90% dos casos no Brasil  tem origem na falta de ferro, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Esse tipo de anemia tem maior prevalência nas mulheres, atingindo 29,4% de brasileiras em idade reprodutiva. 

Muitas mulheres convivem com os sintomas no dia a dia, e não percebem que estão com a doença. A hematologista Maria Amorelli, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, conta que toda mulher, independente da idade, deve prestar atenção se não está sentindo alguns sinais como um cansaço maior que o normal, uma sonolência grande durante o dia, dor forte nas pernas, queda de cabelo desproporcional ao esperado e palidez, pois todos eles podem indicar anemia. 

“A mulher pode estar com dificuldade de praticar exercícios físicos e, às vezes, não percebe que perdeu capacidade física. Até uma taquicardia excessiva em um momento de pouco esforço físico pode ser um sintoma”, afirma a médica.

Essa atenção também inclui as grávidas, já que 40% delas são afetadas pela doença no mundo inteiro, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O segundo grupo mais afetado são as crianças de até cinco anos, que de acordo com o Ministério da Saúde representam 20,9% do total de casos no país. Homens também podem desenvolver anemia, mas são casos muito mais raros, e isso não é por acaso. Existe um motivo para as mulheres serem o grupo mais afetado, e ele se chama menstruação. 

Como o ciclo menstrual leva mulheres à anemia

O ciclo menstrual dura em média 28 dias, começando pela menstruação – que dura entre três e oito dias. Apesar de existir uma variação de pessoa para pessoa, uma mulher saudável pode perder até 80 ml de sangue um ciclo. A perda de sangue, acometida por um alto fluxo menstrual, pode ocasionar algumas deficiências ao organismo. A anemia pode ser uma das principais consequências.

A anemia é mais comum nas mulheres do que nos homens por causa do ciclo menstrual, e pode acontecer em qualquer fase do período fértil – apesar de mais comum no climatério, como explicarei mais a frente. A Dra. Maria Amorelli conta que muitas mulheres acham que estão com o fluxo menstrual normal, e por isso nem desconfiam que sua “fraqueza” é anemia. A doutora lembra que a avaliação não é tão simples de ser feita. Para entender, é preciso conhecer o próprio corpo muito bem e os seus hábitos. 

A hematologista conta que a maior incidência desse problema acomete mulheres que estão entrando no climatério, em média perto dos 40 anos de idade. Isso acontece porque neste momento, o corpo feminino está passando por uma variação hormonal muito grande, ocasionando um aumento do fluxo menstrual. Isso depois de anos vivendo o ciclo menstrual e perdendo sangue constantemente. 

“A mulher passa pelos ciclos menstruais há vários anos, então sua reserva de ferro pode estar baixa. Por isso, é muito comum que a mulher que está quase entrando na menopausa desenvolva uma anemia por ausência de ferro”, conta a hematologista. 

Como as mulheres podem evitar o problema?

Primeiramente, as mulheres precisam estar mais atentas do que os homens nos sinais. Como o sexo masculino não perde sangue mensalmente, quando ele desenvolve anemia é mais fácil de perceber os sinais e identificar o motivo. Já o sexo feminino tem os sinais mascarados, por isso a atenção precisa ser redobrada e o acompanhamento com o ginecologista pode auxiliar nessa rotina. 

Devido ao ciclo menstrual, a reserva de ferro das mulheres é mais baixa por natureza. Segundo a Dra. Maria Amorelli, para evitar a anemia as mulheres precisam focar em uma alimentação rica em ferro, sem esquecer da vitamina C que vai ajudar o organismo a absorver esse ferro com mais eficiência.  

Muitas mulheres optam por comer só carne branca, como frango e peixe, e isso pode ser um problema para quem está com o estoque de ferro abaixo do normal.  A carne vermelha é mais rica em ferro. Nas vegetarianas pode ser necessária a suplementação de ferro, mas principalmente de vitamina B12.

“O ferro da carne é muito mais absorvido. Também existe o ferro nos vegetais, como na beterraba, no grão-de-bico, na couve, mas não é o mesmo ferro da carne, então sua absorção será menor. As pacientes que optam por serem vegetarianas, precisam de suplementação também”, conclui a hematologist

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