28% das empresas irão aumentar diversidade
5 de setembro de 2023
Redação

Investir em diversidade, equidade e inclusão é uma decisão percebida por executivos como importante para a retenção de talentos nas empresas, a evolução da sociedade e a reputação corporativa, segundo o estudo “DE&I e líderes de negócios”, realizado pelo instituto de pesquisa e big data Data-Makers e a agência de relações públicas CDN. A análise, que contou com a participação de 170 líderes de negócios, entre CEOs e C-Levels dos mais diferentes segmentos, tem o intuito de compreender como essas lideranças se relacionam com o tema, avaliando a evolução da pauta no Brasil e as expectativas para o futuro.

“Ao contrário do tema ESG, em que nosso estudo mostrou que a motivação principal para a adoção é a imagem da marca, chama atenção o fato de que os incentivos apontados pelos executivos para a promoção de Diversidade, Equidade e Inclusão revelam um entendimento mais genuíno sobre a função social das organizações e do impacto positivo de ações de DE&I para a relação entre a empresa e seus colaboradores”, afirma Fabrício Fudissaku, CEO da Data-Makers.

Muita consideração e pouca prioridade

O estudo também aponta que os líderes consideram diversidade, equidade e inclusão como assunto majoritariamente relevantes para o futuro dos negócios: 37% acham importante e 55% acreditam ser extremamente importante. Não por acaso, a maior parte dos executivos (77%) afirma ter conhecimento razoável sobre o tema. Outros 18% responderam ter total domínio e apenas 5% admitiram não ter qualquer conhecimento sobre a questão.

Apesar da noção do mercado sobre a importância da diversidade, equidade e inclusão, a maior parte dos CEOs e C-Levels acredita que a pauta é subestimada nas empresas (53%). Além da falta de prioridade para o tema, a escassez de profissionais capacitados e o pouco comprometimento das lideranças também estão as principais barreiras apontadas na adoção de práticas assertivas e consistentes de DE&I.

Investimentos e tomada de decisão

Os CEOs (35%) e o RH (29%) são os principais tomadores de decisões para ações de DE&I, seguidos pelo conselho de administração (15%), comitê interdisciplinar (9%) e área dedicada (1%). Numa primeira observação, pode parecer positivo que a liderança assuma o papel central nas iniciativas, mas há evidências de que isso decorre principalmente da inexistência de um arranjo de governança robusto e de profissionais com habilidades adequadas, ao invés de refletir um autêntico interesse por parte dos CEO’s ou do conselho.

Em termos de prognóstico de investimentos em DE&I para os próximos 12 meses, o cenário mostra tendências de estagnação e incerteza. Dos líderes da pesquisa, 51% dizem que a empresa deve apenas manter o nível de investimento, enquanto 14% afirmam ainda não saber. Dos que vão mexer no ponteiro desse budget, 28% pretendem aumentar o aporte, enquanto 7% devem diminuir.

Se as perspectivas para o crescimento de investimentos não foram favoráveis, ao menos os executivos têm a intenção de agir. De acordo com o estudo, uma parcela de 49% dos líderes demonstrou comprometimento em se envolver ativamente em iniciativas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&I), seja contribuindo diretamente (31%) ou liderando essas iniciativas (21%). Outros 48% planejam dar suporte a tais ações, enquanto apenas 3% não têm interesse em participar.

Marcas e profissionais lembrados

Uma fatia considerável de executivos (22%) não soube apontar uma empresa que se destaca em DE&I no Brasil, um indicativo do estágio inicial da relação das companhias com o tema no país. Entre aqueles que atrelaram marcas ao tema, a Natura foi a organização líder em menções (13%), seguida de Magazine Luiza (9%), O Boticário, Nubank e J&J (5%). No total, 53 empresas foram citadas, e a pulverização das respostas é outro indicador do estágio ainda incipiente da pauta no universo corporativo.

Entre os executivos reconhecidos pela sinergia com a causa, Luiza Trajano foi o nome mais lembrado pela atuação em diversidade, equidade e inclusão, com 6% das menções. No total, 37 profissionais foram citados. Por outro lado, quase um quarto dos entrevistados não soube indicar nenhum profissional de referência, o que evidencia caminho aberto para quem quer construir autoridade nessa pauta. “A reputação de uma marca é avaliada pelo impacto que ela causa na sociedade. Nessa construção, é fundamental que empresas e líderes se abram para o diálogo com seus públicos e tenham uma prática adequada com o que propagam. O estudo mostra para as marcas e decisores de negócio que há muito potencial inexplorado para quem quer se posicionar bem dentro deste território ESG”, avalia Fabio Santos, CEO da CDN.

A iniciativa Data-Leaders tem como parceiros estratégicos a empresa de recrutamento Page Executive, o veículo Mundo do Marketing, o centro de estudos em liderança e governança Celint, a empresa especializada em inovação aberta Liga Ventures, além do apoio do portal de dados Data-Crush.

Metodologia


O estudo ouviu 170 líderes de negócios, entre CEOs e C-Levels dos mais diferentes segmentos e tamanhos, e é baseado em pesquisa online quantitativa de autopreenchimento. A seleção de participantes é realizada pelas empresas parceiras da iniciativa e a análise de dados é trabalhada pela Data-Makers por meio de técnicas estatísticas, como análise descritiva, correlacional e inferencial, para identificar padrões, tendências e associações.

O relatório completo será disponibilizado aqui.

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