O Brasil tem 16,4 milhões de pessoas vivendo em favelas e comunidades urbanas, o equivalente a 8,1% da população, segundo dados do Censo 2022. Isso significa que, se esses territórios formassem um estado, ele seria o terceiro mais populoso do país, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais.
Mas os brasileiros que habitam esses espaços são frequentemente retratados a partir do estigma da violência, da pobreza e da carência, enquanto aspectos como cultura, inteligência coletiva, empreendedorismo e solidariedade acabam ficando em segundo plano.
Para a especialista em responsabilidade social, diversidade e inclusão Maria Paz, olhar para as periferias apenas a partir de seus problemas sociais é uma forma de exclusão, porque reduz as pessoas a uma única narrativa. Também afeta como elas são percebidas, tratadas e incluídas na sociedade e no mercado de trabalho.

“Infelizmente, quando se fala em favela, a maioria das pessoas se cerca de preconceitos que ignoram a realidade desse universo”, afirma.
No livro Refavelar, a autora une ficção e a própria experiência com projetos sociais justamente para propor uma mudança de perspectiva.
A obra mostra as belezas existentes nas comunidades brasileiras por meio da personagem Taís, uma executiva que se perde na fictícia Favela Girassol. Lá, ela começa a enxergar conhecimentos, vínculos, valores e formas de organização coletiva que havia deixado de reconhecer na própria vida.