12% das famílias da PB estão endividadas
25 de maio de 2026
Redação

Mesmo que a capital paraibana ainda seja a menos inadimplente do País, a situação deteriorou-se nos últimos dois anos na cidade — em 2023, apenas 5% das famílias tinham dívidas atrasadas, taxa que foi para 12% no fim de 2025.

O salto foi de 151%, segundo os dados da Radiografia do Endividamento. Nenhuma outra metrópole brasileira teve uma elevação tão expressiva. Goiânia (GO), na segunda posição, viu sua taxa de inadimplência crescer 41% ao longo desse período, enquanto Florianópolis teve aumento de 38%.

Por outro lado, Boa Vista (RO), diminuiu a proporção de inadimplentes em 26%, enquanto Porto Alegre (RS) registrou queda de 22%.

Diante dos dados, a FecomercioSP entende ser importante fortalecer as políticas de educação financeira da população, conscientizando as famílias sobre os usos do crédito e quanto à organização mais adequada do orçamento doméstico. O cenário de endividamento — e inadimplência, sobretudo — é prejudicial para o consumo e, de certa forma, para a economia do Brasil. Evitar a deterioração desse quadro é essencial.

Desenrola 2.0 tem limitações estruturais

Embora o Novo Desenrola Brasil busque ampliar o acesso à renegociação de débitos, principalmente modalidades como cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), há elementos que sugerem limitações relevantes quanto à sua efetividade.

O ambiente econômico é o principal desafio: juros elevados, inflação persistente e alta carga tributária, que mantêm consumidores perto do limite financeiro e dificultam soluções duradouras para a alta inadimplência, sobretudo em certas capitais.

Apesar de ter proporcionado um nível razoável de renegociação, o programa de 2024 tinha limitações que restringiram a adesão e sua capacidade de resolver, de forma estrutural, a situação, como o acesso difícil à plataforma Gov.br, ou a concorrência com feirões de negociação já consolidados e a restrita capacidade de pagamento da população, mesmo diante de descontos expressivos.

Há, agora, mudanças relevantes, como a comunicação direta entre consumidor e instituição financeira, sem necessidade de intermediação do Gov.br. Contudo, o governo passa a atuar como garantidor desse crédito, por meio do Fundo de Garantia de Operações (FGO). Caso o inadimplente deixe de pagar o valor renegociado, o Poder Público cobre o não pagamento. São R$ 2 bilhões iniciais, com potencial de ampliação para até R$ 5 bilhões mediante autorização do Executivo, além de outros R$ 8 bilhões de recursos atualmente parados no sistema financeiro. Em outras palavras, a sociedade, de alguma forma, participa do financiamento do programa.

O uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar dívidas também pode gerar alívio imediato, mas não é solução para o desequilíbrio estrutural das contas, podendo resultar em inadimplência posterior, mas com menor proteção financeira.

Outro ponto importante é a restrição, por 12 meses, do acesso a plataformas de apostas online para participantes do programa. Ainda que a medida dialogue com preocupações legítimas sobre o comprometimento da renda com jogos, pode desestimular uma adesão de parte do público-alvo diante da percepção de que novos programas de renegociação surjam no futuro.

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